O 34º Batalhão de Infantaria Mecanizado (34º BI Mec), sediado em Foz do Iguaçu, concluiu uma etapa estratégica de treinamento voltada à operação anfíbia da Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média Sobre Rodas (VBTP-MSR) Guarani 6x6. A atividade teve como foco habilitar motoristas e comandantes de carro para a condução segura do blindado em travessias de rios e outros cursos d'água, uma capacidade considerada essencial para o emprego da tropa em cenários operacionais de alta complexidade.
O treinamento integra o processo permanente de adestramento da unidade, conhecida como "Batalhão República do Paraguai", responsável por atuar em uma das regiões mais sensíveis do país sob o ponto de vista estratégico. Localizado na Tríplice Fronteira, o batalhão participa regularmente de operações voltadas ao combate aos crimes transfronteiriços, apoio à defesa nacional e ações de garantia da soberania brasileira.
Durante o exercício, as guarnições executaram sucessivas manobras de entrada, navegação e saída da água utilizando o Guarani, blindado desenvolvido para operar tanto em terra quanto em ambientes aquáticos.
Antes de cada travessia, os militares realizaram inspeções rigorosas de flutuabilidade, vedação da viatura e avaliação das condições do rio, incluindo correnteza, profundidade e características das margens.
Todo o treinamento ocorreu sob acompanhamento de oficiais responsáveis pela segurança da atividade e pela prevenção de acidentes. O objetivo foi garantir que cada motorista e comandante dominasse os procedimentos técnicos necessários para conduzir o veículo em situações reais, reduzindo riscos e aumentando a eficiência operacional.
A capacidade anfíbia representa um diferencial importante para tropas mecanizadas. Em operações militares, a possibilidade de atravessar rios sem depender da construção de pontes ou da atuação prévia de unidades de engenharia amplia significativamente a mobilidade das forças terrestres. Essa característica permite manter o ritmo das missões, explorar rotas alternativas e responder com maior rapidez diante de cenários imprevistos.
Esse tipo de preparo é empregado em operações de grande porte realizadas pelo Exército Brasileiro, entre elas a Operação Ágata e a Operação Fronteira Sul, que envolvem o monitoramento das fronteiras, combate ao tráfico de drogas, contrabando, descaminho e outros crimes que afetam a segurança nacional.
Símbolo da modernização da Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro, o Guarani 6x6 foi desenvolvido em parceria entre o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército e a Iveco Defence Vehicles.
O projeto substitui gradativamente antigos blindados sobre rodas, incorporando tecnologias voltadas à proteção da tropa, mobilidade e versatilidade em diferentes tipos de terreno.
O veículo possui aproximadamente 7,10 metros de comprimento, 2,77 metros de largura, podendo atingir 3,35 metros com os flutuadores instalados, e cerca de 2,60 metros de altura. Dependendo da configuração de blindagem e armamentos, pesa entre 16,5 e 18 toneladas.
Sua motorização é composta pelo motor Iveco FPT Cursor 9 Turbo Diesel, com 383 cavalos de potência, associado à tração integral 6x6. O conjunto permite enfrentar terrenos arenosos, lamacentos e rampas de até 60% de inclinação, além de alcançar velocidade entre 95 e 110 km/h em rodovias e autonomia de aproximadamente 600 quilômetros.
Na água, o deslocamento ocorre por meio de duas hélices acionadas por motores hidráulicos Bosch Rexroth, permitindo velocidade próxima de 9 km/h. A estrutura do blindado também incorpora proteção balística contra disparos de armas de fogo e estilhaços, além de soluções voltadas à proteção antiminas, como bancos suspensos e assoalho flutuante, que reduzem os efeitos de explosões sob o veículo.
O Guarani ainda pode receber diferentes sistemas de armamento, entre eles a estação de armas remotamente controlada REMAX, equipada com metralhadoras calibre .50 ou 7,62 mm, e a torre UT30BR, armada com canhão automático de 30 milímetros.
Fonte Gdia/ Fronteira