O 2º Fórum Regional sobre Proteção Integrada de Fronteiras no Arco Sul-Sudeste, realizado nesta quarta (27) e quinta-feira (28) na sede da Itaipu Binacional, debateu propostas para reforçar a segurança em regiões de fronteira e integrar políticas públicas. O encontro foi promovido pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e reuniu ministros, especialistas e representantes das forças de segurança do Brasil, Argentina e Paraguai.
Entre os objetivos, esteve a coleta de subsídios para a elaboração da Estratégia Nacional de Fronteiras, que será apresentada ainda este ano ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. O plano deve consolidar ações em quatro eixos: segurança, integração regional, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.
O ministro-chefe do GSI, Marcos Antônio Amaro dos Santos, ressaltou a importância do debate. “Esse evento visa promover a Política Nacional de Fronteiras, implementada por meio de um decreto no ano passado, e colher subsídios para a Estratégia Nacional de Fronteiras”, afirmou.
Também participaram da abertura o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri. Os diretores Iggor Gomes Rocha (administrativo) e Luiz Fernando Delazari (jurídico) representaram a binacional, além de integrantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) e Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).
Com 17 mil quilômetros de extensão, as fronteiras brasileiras foram apontadas pelo ministro da Defesa como áreas que exigem atenção permanente. “Temos uma das maiores fronteiras do mundo. Encontros como esse são essenciais para discutir soluções para crimes transfronteiriços, que variam de região para região”, afirmou, citando operações conjuntas como a Ágata, realizadas com apoio da Itaipu.
Os debates abordaram ilícitos como tráfico de drogas e contrabando, além de mecanismos de integração e boas práticas para fronteiras terrestres, aéreas e marítimas. Também foram discutidas fontes de financiamento para segurança pública e o combate à rota do tráfico conhecida como Rota Caipira, que conecta Brasil, Argentina e Paraguai.
Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, a empresa tem papel estratégico na região. “A Itaipu tem um absoluto vínculo com o tema por estar localizada na Tríplice Fronteira, uma área considerada de segurança nacional. Além de investimentos de mais de R$ 130 milhões em aparelhos de segurança para as Forças Armadas e polícias, também atuamos em políticas sociais, como a Casa da Mulher Brasileira, com investimento de R$ 10 milhões, para enfrentar desigualdades e proteger vítimas de violência”, afirmou.
O presidente do Idesf, Luciano Stremel Barros, defendeu o desenvolvimento econômico como ferramenta essencial para reduzir vulnerabilidades. “O desenvolvimento é o grande antídoto para todas essas problemáticas de fronteira”, disse, destacando Itaipu como “o maior exemplo de integração transfronteiriça que temos em todo o território”.
O primeiro dia do fórum contou com palestra de Aloizio Mercadante sobre desafios do Estado brasileiro para aprimorar a proteção integrada das fronteiras. Ele reforçou a necessidade de investimentos e oportunidades. “Mais desenvolvimento e oportunidades educacionais são essenciais para reduzir a criminalidade e fortalecer a proteção das fronteiras”, afirmou.
A programação do segundo dia incluiu painéis técnicos e debates sobre boas práticas, financiamento e ações coordenadas para prevenção e combate ao crime organizado.
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