Os efeitos do uso excessivo de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos deixaram de ser uma preocupação restrita à saúde mental. Estudos recentes apontam que o tempo prolongado diante das telas também pode provocar mudanças graduais no corpo, afetando a postura, a visão, a força muscular, a coordenação motora e até a pele.
Pesquisadores e especialistas ouvidos pela BBC afirmam que esses impactos costumam surgir de forma silenciosa, resultado de hábitos repetidos diariamente durante anos. Embora muitos deles possam ser prevenidos ou reduzidos, a tendência preocupa porque acompanha uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia.
Uma das alterações mais conhecidas é o chamado "pescoço tecnológico". A inclinação constante da cabeça para olhar o celular aumenta significativamente a carga sobre a coluna cervical. Dependendo do ângulo, essa pressão pode chegar a aproximadamente 27 quilos, favorecendo o desgaste dos discos vertebrais, das articulações e da musculatura. Em situações prolongadas, a postura também pode comprometer a capacidade pulmonar e modificar o alinhamento natural da coluna.
tendência. A prática regular de exercícios físicos e atividades que exijam esforço manual ajudam a preservar a musculatura.
Outro aspecto observado pelos pesquisadores envolve a coordenação motora. O uso frequente das telas aprimora movimentos específicos, como tocar e deslizar os dedos sobre os aparelhos. Em contrapartida, atividades que exigem movimentos finos e variados tendem a perder espaço na rotina, principalmente entre crianças e adolescentes. Estudos relacionam o excesso de tempo diante das telas à redução dessas habilidades, que também estão associadas ao desempenho escolar e ao desenvolvimento cognitivo.
Para reduzir esses efeitos, especialistas recomendam incluir tarefas manuais no cotidiano, como cozinhar, escrever à mão, tocar instrumentos musicais, praticar artesanato ou realizar trabalhos com madeira. Essas atividades estimulam diferentes áreas do cérebro e fortalecem a conexão entre percepção, coordenação e movimento.
A conclusão dos pesquisadores é que a tecnologia continuará fazendo parte da vida moderna. O desafio está em equilibrar seu uso com hábitos que preservem a saúde física, como pausas frequentes, prática regular de exercícios, atividades ao ar livre e redução do tempo contínuo diante das telas. Pequenas mudanças na rotina podem evitar que os dispositivos deixem marcas permanentes no corpo ao longo dos anos.
Fonte Gdia/ Fronteira