Poucas instituições conseguem atravessar sete décadas mantendo o mesmo lugar no cotidiano de uma comunidade. A Rádio Cultura alcançou esse marco nesta quarta-feira (22) depois de acompanhar praticamente todas as transformações que moldaram Foz do Iguaçu na segunda metade do século XX e nas primeiras décadas do XXI. Fundada em 1956, quando a cidade ainda vivia isolada do restante do Paraná, a emissora cresceu junto com a fronteira e registrou, em tempo real, capítulos que hoje fazem parte da história local.
Muito antes de Itaipu modificar a economia regional, da inauguração da Ponte da Amizade aproximar Brasil e Paraguai ou da BR-277 consolidar a ligação com o Oeste paranaense, a Rádio Cultura já informava os moradores sobre os acontecimentos que movimentavam uma cidade em formação.
Ao longo desse percurso, tornou-se mais do que um veículo de comunicação. Transformou-se em um arquivo vivo da memória iguaçuense.
Os microfones da emissora registraram a expansão urbana, o surgimento de novos bairros, a consolidação do turismo internacional, a construção das grandes obras de infraestrutura e os momentos que marcaram a vida política, econômica e social da Tríplice Fronteira. Ao mesmo tempo, acompanharam histórias anônimas, campanhas comunitárias, festas populares, eleições, enchentes, conquistas esportivas e acontecimentos que fizeram parte da rotina de diferentes gerações.
Essa proximidade explica por que a trajetória da Rádio Cultura se confunde com a da própria cidade. Em uma região formada pelo encontro de três países, diferentes culturas e sotaques, a emissora ajudou a criar um espaço comum de informação e convivência, aproximando moradores muito antes da chegada da internet ou das redes sociais.
Durante sete décadas, a tecnologia mudou, os hábitos de consumo de notícias foram transformados e novas plataformas passaram a disputar a atenção do público. O rádio, porém, encontrou formas de se reinventar. A Cultura acompanhou essa evolução sem abandonar a característica que construiu sua credibilidade: estar presente quando a comunidade mais precisa de informação.
Foi assim durante a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na inauguração das pontes que mudaram a mobilidade regional, nas coberturas eleitorais, nos episódios que marcaram a democracia brasileira e também nos desafios enfrentados durante o período da ditadura militar, quando informar exigia prudência e responsabilidade
Ao longo desse período, centenas de profissionais passaram pelos estúdios da emissora. Locutores, jornalistas, operadores, comentaristas, produtores e técnicos contribuíram para consolidar uma identidade baseada na prestação de serviço e na confiança construída diariamente junto aos ouvintes.
A história da Rádio Cultura começou oficialmente em 22 de julho de 1956, mas o projeto nasceu dois anos antes, quando um grupo de quinze pioneiros decidiu criar um veículo capaz de integrar o Oeste do Paraná e aproximar Foz do Iguaçu dos grandes centros do país. Os primeiros estúdios funcionaram no antigo Hotel Cassino e, pouco depois, ganharam sede própria na Rua Dom Pedro II, onde programas de auditório passaram a reunir moradores em torno de um fenômeno que, naquela época, parecia quase mágico: ver o rádio acontecer diante do público.
Hoje, aos 70 anos, a emissora transmite sua programação pelo AM 820 e também pelas plataformas digitais, mantendo cobertura em Brasil, Paraguai e Argentina. A tecnologia mudou, mas a missão permanece a mesma: contar a história da fronteira enquanto ela acontece.
Fonte Gdia/fronteira