De janeiro até o presente deste mês de setembro, a Receita Federal em Foz do Iguaçu apreendeu mais de 166 mil unidades de medicamentos emagrecedores importados de forma ilegal do Paraguai. O número é aproximadamente 2.069,5% maior do que o volume de flagrantes registrados pelo órgão no intervalo de maio a dezembro de 2025, quando foram apreendidas 7.479 ampolas.
A maior parte dos produtos foi interceptada em ações na aduana da Ponte Internacional da Amizade. A criatividade dos contrabandistas é um dos pontos que mais chama a atenção e exige um olhar minucioso das equipes de fiscalização.
Na semana passada, por exemplo, as forças de segurança localizaram 280 ampolas de emagrecedores escondidos em um fundo falso, identificado no filtro de ar de uma mototáxi, conduzida por um cidadão paraguaio que tentava ingressar em Foz.
Na última terça-feira (8), os servidores da Receita Federal descobriram 50 frascos de medicamentos ocultos dentro de chapéus de festa junina. Os acessórios pertenciam a um passageiro de um ônibus de linha regular do trajeto Foz/São Paulo. Ainda no mesmo dia, os agentes interceptaram mais 68 ampolas de emagrecedores escondidos em um fundo falso no capacete de um motociclista.
Nas três apreensões, o modus operandi é o chamado “contrabando formiga”, onde pessoas são contratadas para transportar quantidades pequenas dos produtos, ocultos em fundos falsos de veículos ou presos ao corpo, em tentativa de burlar as equipes de fiscalização. O destino no Brasil são, quase sempre, grandes centros como São Paulo (SP).
De acordo com as autoridades, os contrabandistas ignoraram completamente as exigências de conservação dos produtos e a procedência dos mesmos. Quem adquire medicamentos sem origem comprovada está sujeito a múltiplos riscos sanitários, que podem causar problemas graves de saúde.
Conforme a Polícia Federal, a importação ilegal de medicamentos, especialmente àqueles que não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é crime previsto no artigo 273 do Código Penal.
Falsificação cresce
Além dos produtos de laboratórios registrados, vêm crescendo nos últimos meses a circulação de medicamentos emagrecedores falsificados. Diversas operações já foram executadas em Ciudad del Este, atingido também a região de Foz e outras localidades.
Uma das ações mais recentes ocorreu na semana passada, sob o comando da Polícia Nacional e Ministério Público do Paraguai. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas localidades de CDE, incluindo farmácias e depósitos, onde foram retidas diversas caixas de ampolas e canetas supostamente a base da substância tirzepatida.
Os medicamentos com indícios de falsificação seriam enviados para a venda clandestina no mercado ilegal do Brasil. A suspeita é de que o esquema já tenha movimentação valores milionários, com uma grande quadrilha envolvida.
Acordo bilateral
Visando um combate mais eficiente ao contrabando e falsificação de medicamentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (Anvisa) e a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) firmaram um acordo com foco bilateral no dia 20 de agosto.
O documento tem validade de cinco anos e prevê a troca constante de informações entre os órgãos de fiscalização de ambos os países, especialmente nas regiões de fronteira, como a aduana da Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este.
A ideia é que por meio das ações conjuntas, seja possível frear a importação clandestina de canetas e ampolas de remédios emagrecedores, anabolizantes, peptídeos e outros produtos semelhantes, que são frequentemente transportados sem nenhum controle ou cuidado sanitário, oferendo grande risco à população que venha a fazer o uso destas substâncias.
fonte gdia