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mundo do crime se reinventa a cada dia. Casos de estelionato, por exemplo, vem crescendo de forma exorbitante e é preciso muita atenção para não cair em golpes e acabar perdendo dinheiro ou tendo informações pessoais roubadas. A ação da vez envolve o uso de Inteligência Artificial (IA), que vem sendo empregada na clonagem e reprodução de telefones de empresas privadas e instituições públicas.
Em Foz do Iguaçu, os criminosos já fraudaram o número da 6ª Subdivisão Policial (6ª SDP). Um alerta foi emitido de forma geral pela unidade. De acordo com o delegado Geraldo Evangelista, a fraude foi identificada após denúncias indicando que o telefone da unidade vinha sendo utilizado em ligações onde os golpistas solicitavam dados pessoais das vítimas.
A Polícia Civil destacou que a população nunca deve fornecer números de documentos, senhas ou qualquer outra informação por meio de chamadas, pois a instituição não realiza este tipo de contato. Também não se deve acessar links enviados por mensagens ou aceitar videochamadas de empresas de qualquer identificação.
Investigações foram abertas para apurar a autoria, origem e reponsabilidade criminal na fraude. Entretanto, esta não é uma tarefa fácil, visto que os criminosos sabem utilizar a tecnologia para ocultar muito bem os rastros da atividade ilícita.
Além de clonar o telefone de empresas em geral, os golpistas também vêm utilizando uma técnica chamada de spoofing, que consiste em uma espécie de falsificação da identificação de chamadas. Por meio desta ação, os estelionatários conseguem editar qualquer número utilizado por eles para que este apareça como um contato salvo no aparelho da vítima.
“Em uma central telefônica falsa, o golpista consegue editar o número para o qual ele vai ligar. Como o número exibido está salvo nos contatos da vítima, a ligação parece legítima e a pessoa não desconfia do crime”, explicou o professor e especialista em Ciência da Computação, Renato Machado.
Também para conseguir informações das vítimas, os estelionatários buscam por dados vazados em redes sociais, por empresas e informações de contratação de crédito pessoal. Com o cruzamento de telefones e perfis públicos, os golpistas identificam amigos, parentes e colegas de trabalho de uma determinada pessoa e traçam o plano de ação.
Com o avanço das IAs, as fraudes vêm se tornando cada vez mais realistas. Atualmente já existem ferramentas que permitem imitar vozes a partir de áudios existentes. Com esta tecnologia e histórias bem formuladas, como a ocorrência de um acidente ou pedido desesperado de dinheiro, as vítimas não tem tempo para pensar e só identificam que caíram em um golpe quando já fizeram repasses.
Polícia recebe 15 denúncias por dia
A Polícia Civil registra uma média de 15 denúncias de golpes por dia em Foz do Iguaçu. Dados do Centro de Análise, Planejamento e Estatística (Cape), da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) mostram que o número de crimes vem crescendo gradativamente e de forma preocupante nos últimos cinco anos no município.
Em 2020, as forças de segurança atenderam a 1.936 casos de golpes variados fronteira. em 2021 este número saltou para 3.109, passando para 3.899 em 2022, 4.209 em 2023, 4.682 em 2024 e 5.023 ocorrências em 2025.
Orientações
Algumas orientações da Polícia Civil podem ajudar os cidadãos a se protegerem de golpes. Em primeiro lugar é importante sempre manter dados pessoais em sigilo e nunca compartilhar senhas, número de cartões ou documentos de identificação com desconhecidos.
Ao realizar buscas na internet, a pessoa deve se certificar de que está usando fontes confiáveis. Softwares atualizados ajudam a manter o computador, smartphone e aplicativos seguros.
Ao perceber que foi vítima de um crime, a pessoa deve procurar a delegacia de polícia e registrar um boletim de ocorrência. Somente com este passo é que a investigação pode ser realizada, combatendo as fontes de estelionato.
fonte gdia