Crise bancária derruba governo de Santiago Peña no Paraguai
Presidente renunciou nesta quinta-feira, após intervenção no Ueno Bank, protestos de clientes e avanço de um pedido de impeachment no Congresso.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise provocada pela liquidação do Ueno Bank e ao avanço de um pedido de impeachment no Congresso. A instituição deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas, provocando protestos e ampliando a pressão sobre o governo.
Em pronunciamento nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. Também pediu desculpas à população e declarou que sua prioridade é garantir a devolução dos recursos aos clientes afetados.
Peña foi acionista da Ueno Holding, grupo controlador do banco, até março de 2025. A oposição apontou possível conflito de interesses, questionou operações financeiras e acusou órgãos de fiscalização de encobrir irregularidades. As alegações fazem parte do pedido de impeachment apresentado por 35 deputados.
Crise no sistema financeiro
O Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno Bank após identificar insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição. Entre os problemas apontados estão empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.
A instituição concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. O Ministério Público ordenou a prisão de executivos e formalizou acusações contra 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados.
Pressão política
A renúncia ocorreu durante uma sessão extraordinária da Câmara dos Deputados que discutia o impeachment de Peña e do vice-presidente Pedro Alliana. O presidente perdeu apoio de aliados do próprio Partido Colorado, incluindo Horacio Cartes, dirigente da sigla e seu principal mentor político.
Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato, previsto até 2028. Antes de renunciar, Peña promulgou uma lei para acelerar a devolução dos valores aos clientes prejudicados.
A Associação de Bancos do Paraguai informou que as instituições financeiras estavam preparadas para atender ao aumento das transferências de correntistas do Ueno e afirmou que o restante do sistema bancário continuava operando normalmente.
Donte Gdia
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