Os medicamentos emagrecedores, que viraram febre após a popularização no tratamento contra a obesidade, voltaram ao centro de polêmicas nesta semana após a descoberta de um esquema de falsificação, identificado no depósito de um shopping, no centro de Ciudad del Este.
Pelo alto valor, os medicamentos passaram a serem extremamente visados por contrabandistas e também por contrafeitores. Na última quarta-feira (8), após a apuração de uma denúncia, a Polícia Nacional e o Ministério Público do Paraguai localizaram um espaço no terceiro andar do Shopping Vendôme, onde foram encontradas centenas de embalagens, ampolas e canetas.
Ao todo, foram recolhidas 200 caixas com quatro ampolas de emagrecedores cada, além de 216 ampolas soltas. Os produtos tem rótulos da marca TG 15, fabricado pela empresa Indufar, com o princípio tirzepatida. A farmacêutica é regularizada, mas seu nome tem sido usado em produtos falsos para enganar o público.
Conforme apurado pela polícia, o depósito onde estavam os produtos havia sido alugado supostamente por um estrangeiro. Contudo, o homem não foi localizado ou identificado na operação
Os medicamentos com indícios de falsificação seriam enviados para a venda clandestina no mercado ilegal do Brasil. A suspeita é de que o esquema já tenha movimentação valores milionários, com uma grande quadrilha envolvida.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos na organização criminosa e esclarecer a dimensão da rede de produção, armazenamento e distribuição dos medicamentos adulterados.
A operação desta semana não foi a primeira executada neste ano contra a falsificação de remédios em CDE. No final de abril, equipes do Ministério Público, com o apoio da Polícia Nacional e Direção Nacional de Vigilância Sanitária, cumpriram mandados de busca e apreensão pelo mesmo esquema em quatro locais do município paraguaio de fronteira.
Na ocasião, três das ordens judiciais foram executadas no bairro Obrero e resultaram na retenção de 68 ampolas com rótulos da marca TG e 21 canetas da marca Mounjaro. Ainda, foram encontradas centenas de caixas e frascos vazios com os mesmos rótulos, além de seringas e equipamentos para selar embalagens.
De acordo com as apurações, os criminosos envasavam água, rotulavam os frascos com etiquetas de laboratórios conhecidos e vendiam como sendo medicamentos originais, na área central de Ciudad del Este. Os principais alvos eram turistas brasileiros, ludibriados pelos “preços atrativos”.
O quarto mandado de busca foi cumprido em um apartamento, localizado em um prédio na Avenida Adrián Jara, que fica a poucos metros da Ponte Internacional da Amizade. No local foram encontradas 570 ampolas vazias com a etiqueta Lipoless, 200 unidades de água injetável, lacres e outros milhares de produtos de origem duvidosa, avaliados em aproximadamente US$ 900 mil, o equivalente a R$ 4,4 milhões. Um homem, de 35 anos, foi preso em flagrante. Todas as mercadorias recolhidas foram encaminhadas para análise, que determinará o conteúdo dos produtos.
Uso indiscriminado
Comprar medicamentos contrabandeados, sem garantia de procedência, traz riscos. Além disso, o transporte de forma inadequada, sem condições de refrigeração, pode danificar completamente o produto.
No mesmo contexto, fazer uso indiscriminado de remédios sem acompanhamento médico adequado pode ocasionar sérios danos à saúde, sendo alguns irreversíveis que podem, inclusive, levar ao óbito.
Mesmo quando utilizados corretamente, os GLP-1 podem causar refluxo, alterações intestinais, náuseas e possíveis efeitos no fígado. Os benefícios voltados à perda de peso são comprovados, mas somente um profissional da saúde pode determinar a melhor substância e manipulação para cada paciente, minimizando efeitos colaterais.
Lucro ilegal
Um estudo realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) mostra que apenas entre 5% e 10% dos medicamentos contrabandeados são apreendidos pelas forças de segurança no Brasil.
A parcela que consegue passar pelas fiscalizações movimenta milhões no mercado clandestino. Conforme o levantamento, neste ano há indícios de que o contrabando de emagrecedores possa movimentar mais de R$ 2 bilhões.
A diferença na carga tributária entre o Brasil e Paraguai é apontada como um dos principais fatores para o crescimento do mercado ilegal. Enquanto no Paraguai os impostos sobre medicamentos ficam em torno de 5%, no Brasil a tributação varia entre 20%.
Fonte Gdia/fronteira